Fed-up
Comentario social e politico com alguma ironia e sarcasmo q.b.
Sábado, Setembro 20, 2003
Olha, agora saíu bem!!!!!!
à á é è â ô ã
Vamos a ver como sai
Em tempo: Há aqui uma arreliadora, e nova, avaria ortográfica com o meu texto. Mas é só no blog. Paciência. Vós que sois espertos, não deixarão de compreendê-lo
Caros amigos que arriscaram vir até aqui
Hoje vou falar um pouco a sério. Isto é não vou (vou tentar) usar de qualquer grau de ironia ou de sarcasmo nem de qualquer outra atitude semelhante ou equiparável.
Vou elencar alguns factos, fazer uma afirmação de "fé" e lançar uma pergunta que gostaria que, se tiverem paciência e vagar, me dêem a V. opinião.
Vamos aos factos (para evitar repetição de palavras esclareço que todos se referem a Portugal):
1 - Temos uma das mais altas iliteracias da Europa
2 - Temos as piores classificações no ensino das ciências puras, matemática e fÃsica.
3 - O nosso produto, o seu crescimento e naturalmente o seu racio per capita é senão o menor, dos mais baixos, também da Europa.
4 - Temos uma produtividade que é da ordem de metade da Europeia.
5 - Temos o maior Ãndice de sinistralidade rodoviária da Europa e um dos maiores do mundo.
6 - A nossa esperança de vida é também uma das menores, senão a menor, da Europa.
7 - A qualidade do nosso ensino, medido pelo (in)sucesso escolar é enorme.
8 - Tanto o paÃs como a maior parte das grandes empresas nacionais já foram analisadas, auditadas, consultadas, workshopadas e outras coisas do género, por todas as grandes firmas mundiais de consultoria e pelos maiores gurus da gestão e de todos já recebeu opiniões, conselhos, propostas (algumas contraditórias, outras redundantes), etc. para deixarmos a cauda da Europa, e os resultados são os conhecidos.
9 - No desporto não passamos da cepa torta. os melhores só fora do paÃs se afirmam.
10 - O investimento estrangeiro prefere ir para o Reino Unido, para a Irlanda ou, no futuro quando não já, para os paÃses do leste próximos UE's.
Mais poderia enumerar, mas já basta.
Quando era jovem pensava que, sendo o paÃs como ainda o é hoje, no futuro, vinda a democracia, não deixarÃamos de recuperar o atraso, mas à medida que o tempo passava, mais cabelos começavam e ficar grisalhos e alguma dúvida se instalou no meu espÃrito. Hoje, depois de tanto ver, ouvir e pensar e passar já não tenho dúvidas. Sei que não vamos a lado nenhum em comparação com os outros desta Europa. O nosso lugar é e será para sempre o de lanterna vermelha nesta corrida. Somos assim, está na nossa natureza como o lacrau que matou o sapo na fábula. O que podemos ter para oferecer a nós próprios e a quem nos visita (a velha miragem do milagre do turismo) é a sardinha e o sol, o mar e o fado, as pataniscas e o (algum) vinho e pouco mais. Que, para alguns destes "assets", vamos estragando alegremente. E o Euro 2004 claro! Será isto tudo mau? Será que podemos ser pobrezinhos mas felizes? Se calhar, maioritáriamente, somo-lo. A vitória do nosso clube de futebol e umas boas cervejolas para comemorar, são suficientes e não nos venham com essas merdas da produtividade, PIB's e outras larachas.
Quanto ao resto, vós que aqui nascestes, perdei a esperança!
Agora as perguntas: Será isto o aflorar do que chamam o natural pessimismo dos velho? E vocês, acreditam? Acham que alguma vez teremos o grau de desenvolvimento e riqueza igual ou "da ordem de" os nossos parceiras Europeus?
A todos um abraço. Aguardo a V. opinião sincera.
JM
Quarta-feira, Setembro 10, 2003
Sobre o perigo que corremos sempre que passamos sobre ou sob qualquer das pontes, viadutos, túneis e outras "obras de arte" bem como sobre o perigo que é viver neste cantinho chamado Portugalito "pasto" aqui algo que escrevi já vai para quase 5 anos, lembrando que, mesmo que algo se tenha alterado, o essencial mantem-se actual como nunca.
A FORÇA DO DESTINO
Uma das (des)vantagens da idade é que já nada surpreende uma vez que tudo já foi visto, contado ou vivido. Contudo apesar dos anos que já levo ainda me consigo surpreender, senão espantar, por vezes. Foi o caso quando outro dia li a notícia de que uma decisão dum tribunal deste torrão à beira mar, mandava arquivar um pro-cesso pela morte por electrocussão dum jovem, verificada quando carregou no botão dum semáforo para poder atravessar a rua, facto que se passou há pouco tempo no Campo Grande em Lisboa.
O despacho evocava como razão para tal o facto de considerar inevitável a de-gradação do isolamento do fio eléctrico no interior do referido semáforo, causa que levou à morte do jovem.
Este despacho é histórico pois pela primeira vez, que eu saiba, alguém com poderes para tal, afirma preto no branco a inevitabilidade duma ocorrência para ilibar a culpa sobre essa ocorrên-cia. Finalmente alguém reconhece que as coisas são inevitáveis e é o destino que comanda as nossas vidas (e a nossa morte também, por exemplo por causa dum fio eléctrico descarnado).
Se o leitor fôr a passear na rua e um autocarro galgar o passeio e o esborrachar contra a parede escusa de pensar (duvido mesmo que possa pensar algo mais) que a culpa é da Ca-rris. Não senhor, a culpa, se é que se pode falar em culpa, é da in-evitabilidade das coisas. Fique contente que o destino tinha reservado para si esta morte inevitável mas poupou a sua mulher e os seus filhos ao mesmo sofrimento o que não teria sucedido se fossem todos jun-tos. De facto vendo bem as coisas nesta perspectiva do destino individual e da inevitabili-dade da sua ocorrência, era ine-vitável que eles não estivessem consigo, percebe ?
Esta tese da inevitabilidade conjuga-se com uma outra figura bem conhecida do nosso direito penal que é a chamada "culpa do sistema".
Qualquer destas razões causais, é por si só, mais que suficiente para justificar e explicar quase tudo o que acontece à nossa volta por mais estranho ou absurdo que possa parecer. As duas juntas são práticamente imbatíveis e duvido que haja algo que não possa ficar expli-cado pela sua acorrência simultânea.
Há já muitos anos que venho defendendo esta tese sobre a inevitabilidade. Tenho para mim como provado que é inevitável a estupidez humana assim como o é, por exemplo, a corru-pção. A história demonstra-o, mas quanto a esta estória faça o lei-tor o julgamento.
Em Portugal há todos os dias exemplos que confirmam o que digo atrás.
Por exemplo é inevitável que de vez em quando haja um incêndio numa casa cheia de velhi-nhos e velhinhas caprichosamente denominada "Lar da 3ª Idade" e nele morram uns quan-tos idosos. É inevitável que nos parques de diversões aquáticas uma ou outra criança seja aspirada pelo tubo do esgoto ou que mesmo no meio duma rua tal possa acontecer numa qualquer caixa de esgoto aberta ao público. Também o é que nas obras, às vezes, haja uma derrocada, um aluimento de terras, uma lage ou uma parede que cai matando umas quantas pessoas. É inevitável que os esgotos entupam e quando chove haja uma ou outra inundação também.
Todos sabemos que a culpa é do sistema que torna isto inevitável, claro !
No que respeita exclusivamente ao fenómeno que denominarei a partir de agora como "des-carnamento imprevisível e inevitável dos fios eléctricos" ou pela sigla DIIFE, apenas me acorre aconselhar os leitores a nunca utilizarem os dedos para accionar qualquer botão que possa estar, ainda que remotamente, associado a um fio eléctrico.
Lembro que na nossa vida diária são inúmeras as situações em que tal ocorre desde o botão do despertador, dos vários interruptores que acendemos e apagamos todos os dias, os botões dos elevadores, etc.
Sugiro algumas técnicas de defesa para evitar o inevitável:
1º - Nunca use os dedos para actuar estes botões. Os dedos devem ser usados ape-nas para tarefas mais nobres como tocar piano, escrever poesia, pintar ou es-culpir obras de arte, lim-par as fossas nasais ou os meandros auriculares ou outras actividades que o pudôr me im-pede de referir.
Ande sempre com um pauzinho daqueles dos gelados, bem limpo e seco, ou a parte exterior duma esferográfica de plástico e use-os para tocar nos botões suspeitos.
2º - Não tendo à mão qualquer daqueles objectos nem substituto aceitável, peça a alguém perto de si para carregar no botão que pretende. Mas atenção nunca o faça a quem esteja tão perto de sí que os corpos se toquem. A electrocussão do seu vizinho poderia ser tam-bém a sua.
Se necessário, para não levantar suspeitas, finga que é paralítico ou tem os braços partidos ou faça-se distraído, enfim qualquer coisa que leve o seu vizinho a não desconfiar das suas verdadeiras intenções.
3º - Nunca carregue em semáforos para atravessar a rua. É muito menos arriscado correr entre os carros até chegar ao outro lado.
4º - Nunca utilize nada que tenha a ver com electricidade. Está provado que esta energia é perigosa. A humanidade viveu 2 milhões de anos sem ela e passou bem sem dar pela sua falta. Você também poderá fazê-lo.
Naturalmente que há outras ameaças para além do DIIFE. Não convém esquecer as ine-vitáveis explosões de gás, os inevitáveis buracos nas ruas e nas estradas, os inevitáveis descarrilamentos e os condutores em contramão nas autoestradas, a ine-vitávelmente célebre IP5, o inevitável assalto por esticão ou com ameaça de arma branca ou seringa, a inevitável televisão que temos, sem esquecer sobretudo os ine-vitáveis dirigentes desportivos e os ainda mais inevitáveis políticos.
Acabo aqui. Era inevitável !
NOTÍCIA DE SOBREVIVÊNCIA
Aos meus leitores “bloguistas” que sei desejam a minha saúde e o meu bem estar quero informar que ontem fui a Alcochete e depois do regresso desta vila fui também a Sintra.
No total, estas deslocações que fiz por carro, demoraram cerca de 2 a 2,5 horas e nelas passei sobre uma ponte num rio, o Tejo, além de inúmeros viadutos pedonais e rodoviários, por cima e por baixo, mas não passei em nenhum túnel, felizmente.
Por esquecimento ou desleixo não cheguei a fazer previamente seguro de vida, mas por sorte nenhuma daquelas “obras de arte” ruiu durante o tempo em que nelas – ou sob elas – circulava, o que permitiu que eu chegasse a casa incólume não obstante as ameaças potenciais e os concomitantes riscos que incautamente assumi.
Quarta-feira, Agosto 27, 2003
MAGGIOLO GOUVEIA DESERTOR?
Não estou especialmente documentado sobre o caso. Mas o que leio na imprensa deixa-me perplexo. O major Maggiolo Gouveia era o comandante da polícia de Timor. Cargo que devia, como era regra, desempenhar em comissão civil. E que o colocava na dependência hierárquica do Governador de Timor, não das chefias militares. A ordem dada pelo Governador Lemos Pires de retirada das forças armadas portuguesas para o Ataúro não se aplicava à Polícia. Se ordenou também a evacuação desta, coisa que ignoro, a desobediência de Maggiolo Gouveia é isso mesmo: desobediência (que é infracção punível), mas não é deserção das fileiras do Exército.
Tenho visto referências às palavras que o Maggiolo Gouveia teria proferido para justificar ficar em Díli, confessando afastar-se do Exército Português. Não sei se teria sido assim. Mas também não custa acreditar que no calor duma decisão de ruptura com as chefias pela sua noção de lealdade à Pátria, as palavras tenham sido menos medidas e menos lúcida a qualificação do seu acto.
Tenho para mim que a qualificação de desertor, se o Exército efectivamente lha deu, foi revindita política, legitimadora da vergonhosa debandada oficial para o Ataúro.
Por desforço ideológico, a esquerda invoca, chocada, a deserção, fenómeno que, geralmente, pouco a incomoda. Apenas as razões dela. Seja a deserção filha de nobres sentimentos anti-colonialistas, ou mesmo do menos nobre amor à pele, e dá heróis (ou, pelo menos, deputados e ministros).
A insistência da esquerda na deserção de Maggiolo Gouveia é, no mínimo, um exercício de soez hipocrisia. Mas é pior. Porque achincalha o martírio dum compatriota que se batia, bem ou mal avisado, pela honra e pelos interesses de Portugal.
Bem mais digna a direita actual, que não vem para os jornais nem dizer nem perguntar quem mandou matar, quem comandava o pelotão de fuzilamento, por onde andavam os prémios Nobel da paz, que fazia o Sr. Gusmão.
Não vamos procurar culpados. Mas honremos com profundo respeito a memória dos que morreram por nós.
José Vaz de Mascarenhas
PS. A minha última contribuição para o “FED UP” continha várias gralhas e um erro: a grafia correcta é “aceiro”. Peço desculpa.
JVM
Terça-feira, Agosto 19, 2003
Vai grande unanimidade por este país em torno da necessidade de medidas urgentes para pôr cobro à devastação da floresta pelos incêndiios estivais. Quando se passa à enumeração delas, logo à cabeça se vê a imperiosa prioridade de regras que ordenem a floresta à escala nacional. Mas, como o ordenamento do território não pode fazer-se com independência dos sectores, do que se trata, afinal (ontém o Marcelo Rebelo de Sousa o repetiu na TVI) é de reordená-lo no seu todo, de forma harmónica e integrada: urbanismo, floresta, agricultura, turismo, zonas e espécies protegidas, sei lá que mais.
O que me espanta muito é que ninguém aprende nada. Nem as supostas grandes cabeças desta terra escapam à tentação totalitária desta fatalíssima quimera demiúrgica. Acreditam, contra toda a evidência, na capacidade humana de prever com rigor e regulamentar com sabedoria. Repugna-lhes o que Adam Smith chamou a mão invisível, guia da sociedade humana pelos caminhos da sobrevivência, a partir duma estrutura em que cada um prossegue os seus interesses pessoais, sem apontar conscientemente ao bem comum. Ao Estado de asegurar, pela força, o honesto comportamento das gentes.
Nesta linha, de que só os muitos anos revelaram a justeza (pois de novo também segui a ilusão voluntarista), a solução mitigante dos fogos de Verão consiste em tornar de óbvio e imediato interesse para as populações rurais a regular limpeza da floresta e o seu cruzameto por asseiros protectores. Sem isso, podem vir todos os reordenamentos que quiserem, chover coimas e perdições, infestar os campos de guardas e patrulhas, que o resultado será, com pequenas variações, sempre o mesmo, tão ineficazes são tais políticas contra o desinteresse do campestre. O dinheirão que se vai gastar em reunir equipas multidisciplinares de portentosos sábios (incluindo a nóvel praga dos ambientalistas, apostados em suster o processo evolutivo da vida no universo, devorador de espécies), comissão magna de planeamento integral, de regulação preciosa; com as extensas estruturas públicas para a sua implantação, controlo e coordenação, revisão e detalhe; com a pesadíssima máquina de licenciamento e inspecção, com todo este dinheirão, dizia eu, se pagaria esta coisa simples, inocente e utilíssima que era a compra do mato cortado aos seus proprietários, desde que carregável no local (ou relativamente perto dele) por veículos da agência compradora.
Todos sabemos que são condições importantes para os incêndios a composição excessivamente combustível da floresta de pinheiros bravos e eucaliptos; e a abundância de mato pelo meio dela. Quanto ao primeiro factor, é ilegítimo proibir as pessoas de cultivarem o que mais rendimento lhes dá. E o segundo só se tornou efectivamente grave com a perda de valor económico do mato. Dantes, ele era combustível doméstico (nomeadamente para os fornos de pão), cama para o gado e até pasto para cabras. Lembro-me ainda, era eu pequeno, de aparecerem compradores para o mato duma propriedade que temos no barrocal louletano, nessa época sempre limpa, e hoje um matagal cerrado, reserva ecológica da Nação (que lá despeja todo o lixo que lhe apetece, a começar pelos serviços camarários, mas isso é outra história). Perdido o seu valor, quem vai agora roçar mato, trabalho pesado e difícil, mesmo quando o terreno consente a passagem de máquinas? Só por que pode arder? Mas o fogo, como o cancro, dá no vizinho, era muito azar se nos tocasse à porta. Não continuam os alarves a deitar fogo preso nas romarias, na canícula deste Agosto?
Não. Só por interesse. E não falo dum interesse abstracto, intelectual, raciocinado, pois aí o povo limparia, pelo menos, o arredor das casas, não deitava foguetes em pleno Verão. Terá que ser, como disse acima, interesse óbvio e imediato, palpável, indutor do trabalho necessário ao lucro desejado. Pague-se-lhes o mato. Mas ponha-se como condição, propiciadora de asseiros, que o veículo recolector (camião, tractor com atrelado) possa chegar perto do local roçado.
Não fiz contas. Mas é intuitivamente evidente que é possível. Mais: sei que é o único processo, como alternativa a meter a população rural em peso na cadeia, por desrespeito da lei. Com a habitual consequência irreparável da corrupção do tecido social afectado pela lei inaplicável: mais um passo no regresso à selva dum povo que já se embrenhou bastante. E sei mais: o tremendo normativo que aí se prepara, em nome do bem comum, tudo condicionando, para tudo exigindo autorização, vistoria, licença, vai criar um pesadelo burocrático de que o actual regime do licenciamento de obras é uma pálida e benigna imagem, ao serviço dum Estado totalitário e gigantesco, o Leviathan. E acrescento: dum Estado autoritário, cobarde e ineficaz, duma burocaracia tanto mais corrupta quanto maior for o seu poder e mais desajustadas da realidade se mostrarem as normas. E todas as leis se desajustam: é uma questão de tempo.
Paguem-lhe o mato, deixem-nos o pouco de liberdade que ainda nos resta!
Com um pouco de imaginação, talvez se encontre utilidade para ele, possivelmente para carvão, briquetes; talvez, em parte, para pasto de cabras leiteiras. E aglomerados?
Palpites de quem não sabe, mas acredita (e apenas nisso acredita) no engenho das pessoas motivadas pelo ganho, benza-as Deus.
José Vaz Mascarenhas
Vai grande unanimidade por este país em torno da necessidade de medidas urgentes para pôr cobro à devastação da floresta pelos incêndiios estivais. Quando se passa à enumeração delas, logo à cabeça se vê a imperiosa prioridade de regras que ordenem a floresta à escala nacional. Mas, como o ordenamento do território não pode fazer-se com independência dos sectores, do que se trata, afinal (ontém o Marcelo Rebelo de Sousa o repetiu na TVI) é de reordená-lo no seu todo, de forma harmónica e integrada: urbanismo, floresta, agricultura, turismo, zonas e espécies protegidas, sei lá que mais.
O que me espanta muito é que ninguém aprende nada. Nem as supostas grandes cabeças desta terra escapam à tentação totalitária desta fatalíssima quimera demiúrgica. Acreditam, contra toda a evidência, na capacidade humana de prever com rigor e regulamentar com sabedoria. Repugna-lhes o que Adam Smith chamou a mão invisível, guia da sociedade humana pelos caminhos da sobrevivência, a partir duma estrutura em que cada um prossegue os seus interesses pessoais, sem apontar conscientemente ao bem comum. Ao Estado de asegurar, pela força, o honesto comportamento das gentes.
Nesta linha, de que só os muitos anos revelaram a justeza (pois de novo também segui a ilusão voluntarista), a solução mitigante dos fogos de Verão consiste em tornar de óbvio e imediato interesse para as populações rurais a regular limpeza da floresta e o seu cruzameto por asseiros protectores. Sem isso, podem vir todos os reordenamentos que quiserem, chover coimas e perdições, infestar os campos de guardas e patrulhas, que o resultado será, com pequenas variações, sempre o mesmo, tão ineficazes são tais políticas contra o desinteresse do campestre. O dinheirão que se vai gastar em reunir equipas multidisciplinares de portentosos sábios (incluindo a nóvel praga dos ambientalistas, apostados em suster o processo evolutivo da vida no universo, devorador de espécies), comissão magna de planeamento integral, de regulação preciosa; com as extensas estruturas públicas para a sua implantação, controlo e coordenação, revisão e detalhe; com a pesadíssima máquina de licenciamento e inspecção, com todo este dinheirão, dizia eu, se pagaria esta coisa simples, inocente e utilíssima que era a compra do mato cortado aos seus proprietários, desde que carregável no local (ou relativamente perto dele) por veículos da agência compradora.
Todos sabemos que são condições importantes para os incêndios a composição excessivamente combustível da floresta de pinheiros bravos e eucaliptos; e a abundância de mato pelo meio dela. Quanto ao primeiro factor, é ilegítimo proibir as pessoas de cultivarem o que mais rendimento lhes dá. E o segundo só se tornou efectivamente grave com a perda de valor económico do mato. Dantes, ele era combustível doméstico (nomeadamente para os fornos de pão), cama para o gado e até pasto para cabras. Lembro-me ainda, era eu pequeno, de aparecerem compradores para o mato duma propriedade que temos no barrocal louletano, nessa época sempre limpa, e hoje um matagal cerrado, reserva ecológica da Nação (que lá despeja todo o lixo que lhe apetece, a começar pelos serviços camarários, mas isso é outra história). Perdido o seu valor, quem vai agora roçar mato, trabalho pesado e difícil, mesmo quando o terreno consente a passagem de máquinas? Só por que pode arder? Mas o fogo, como o cancro, dá no vizinho, era muito azar se nos tocasse à porta. Não continuam os alarves a deitar fogo preso nas romarias, na canícula deste Agosto?
Não. Só por interesse. E não falo dum interesse abstracto, intelectual, raciocinado, pois aí o povo limparia, pelo menos, o arredor das casas, não deitava foguetes em pleno Verão. Terá que ser, como disse acima, interesse óbvio e imediato, palpável, indutor do trabalho necessário ao lucro desejado. Pague-se-lhes o mato. Mas ponha-se como condição, propiciadora de asseiros, que o veículo recolector (camião, tractor com atrelado) possa chegar perto do local roçado.
Não fiz contas. Mas é intuitivamente evidente que é possível. Mais: sei que é o único processo, como alternativa a meter a população rural em peso na cadeia, por desrespeito da lei. Com a habitual consequência irreparável da corrupção do tecido social afectado pela lei inaplicável: mais um passo no regresso à selva dum povo que já se embrenhou bastante. E sei mais: o tremendo normativo que aí se prepara, em nome do bem comum, tudo condicionando, para tudo exigindo autorização, vistoria, licença, vai criar um pesadelo burocrático de que o actual regime do licenciamento de obras é uma pálida e benigna imagem, ao serviço dum Estado totalitário e gigantesco, o Leviathan. E acrescento: dum Estado autoritário, cobarde e ineficaz, duma burocaracia tanto mais corrupta quanto maior for o seu poder e mais desajustadas da realidade se mostrarem as normas. E todas as leis se desajustam: é uma questão de tempo.
Paguem-lhe o mato, deixem-nos o pouco de liberdade que ainda nos resta!
Com um pouco de imaginação, talvez se encontre utilidade para ele, possivelmente para carvão, briquetes; talvez, em parte, para pasto de cabras leiteiras. E aglomerados?
Palpites de quem não sabe, mas acredita (e apenas nisso acredita) no engenho das pessoas motivadas pelo ganho, benza-as Deus.
José Vaz Mascarenhas
Sexta-feira, Agosto 15, 2003
O "RANDOM HOUSE DICTIONARY of the ENGLISH LANGUAGE" refere o termo "fed up" como significando "disgusted, bored or impatient". "Disgusted" significa, em inglês, traduzido para português, o que ofende o bom gosto ou a boa moral, que causa náusea, repugnante. "Bored" quer dizer chateado e "impatient" não precisa de tradução.
O nome do blog pretende representar isso mesmo e, ao escolhê-lo, quere-se criar e estabelecer uma identificação, uma referência que, de algum modo, qualifique um texto, imagem ou outro qualquer conteúdo (como agora se diz !) que reproduza o estado de alma dos que se sentem FED UP's com "tudo isto" e que não têm outro meio de dar a conhecer a sua náusea, repugnância, bom gosto ou moral ofendidos, chateamento ou impaciência.
O FED UP pretende ser um forum, um repositório dos desabafos de todos nós, aqueles que tenham sofrido a surrealidade, a incompetência, a incapacidade, a falta de profissionalismo, a incúria, a estupidez, a mesquinhez, etc, etc, etc. dos políticos, dos autarcas, dos que de alguma forma podem exercer o seu poder(zinho) para conosco, e que não tendo outro meio de desabafar ou denunciar possam usar o FED UP para "avisar a malta".
FED UP não é e não pretende ser um forum político nem um forum de influência, mas se o fôr de alerta e influência social já terá tido algum mérito.
Dirige-se prioritáriamente à comunidade culta, informada e intelectualmente independente que teima em pensar pela sua cabeça e não seguir modas, tendências do politicamente correcto (abominável !!!), chavões ou doutrinas fora do prazo de validade ou outras "certezas ou verdades" garantidas por qualquer ortodoxia.
Destina-se acima de tudo aos que respeitam as pessoas e instituições pelo que fazem e não pelo que dizem.
O FED UP está aberto a todos e não tem censura nem critérios editoriais a respeitar. Tal como o disparate o FED UP é livre embora previlegie a ausência daquele. O humor, a ironia, o sarcasmo, são aconselháveis mas não obrigatórios. O ridículo pode matar mais e melhor.
No entanto o FED UP terá que ter algumas regras de comportamento (a éticazinha, meus amigos, não se esqueçam da ética), a saber:
REGRA 1: Qualquer texto, imagem, etc. poderá ser posto no blog FED UP desde que o seu autor assim o entenda e o seu conteúdo assim o justifique. Para tal bastará escrevê-lo a ali o colocar. Para o fazer deverá ser solicitado o log-in e password para o efeito no endereço de e.mail: j.mmonica@mail.telepac.pt
REGRA 2: Todos os textos etc. que se pretenda colocar no blog FED UP devem sê-lo na origem, exclusivamente pelo seu autor. A colocação de texto no FED UP de textos alheios não deverá ser feita sem a aprovação prévia do autor e a sua identificação.
REGRA 3: São expressamente proibidos textos laudatórios ou simplesmente elogiativos de quaisquer pessoas ou entidades públicas ou privadas ligadas à política, ao funcionamento das instituições, a organismos públicos, empresas detentoras de monopólios ou outros de cariz semelhante ou equivalente. Qualquer texto que quebre esta regra está naturalmente qualificado de apócrifo (ou hipócrita) e poderá ser apagado e denunciado como tentativa de fraude.
P.S. Serão bem vindas contribuições que contribuam para o enriquecimento do blog e a sua divulgação.
Quarta-feira, Agosto 13, 2003
TEM QUASE UM ANO DE VIDA (ESCRITA EM 20.10.2002). CONTINUA MAIS ACTUAL DO QUE NUNCA!
DESABAFO DE UM DESILUDIDO (EX-ILUDIDO)
Ao ler o jornal diário como habitualmente faço, respigo de uma coluna com citações de outras publicações, as seguintes frases:
- ... Portugal não só nunca conseguiu afirmar-se em sectores tecnológicos de van-guarda, como continuou agarrado à mão-de-obra barata.
- ... As obras públicas são escapatória de países subdesenvolvidos, sem capaci-dade de invenção ...
- Temos um país que ... tomou como valores nacionais os interesses do futebol e a imbecilidade do “Big Brother”.
- As elites estão cada vez mais afastadas dos partidos e os partidos cada vez mais fe-chados às elites. O resultado só pode ser o que é: uma crescente mediocridade da vida política.
- Se a banca, as telecomunicações, a energia, ... forem passando para a mão de es-trangeiros, os portugueses serão cada vez menos senhores dos seus destinos. Tratados como um povo de segunda.
Ora estas frases e outras que todos lemos e ouvimos no dia a dia, todos os dias desde que me entendo, fazem-me algum espanto, na medida em que vimos dizendo isto há de-zenas (centenas!) de anos sem que nada mude para melhor, pelo contrário, se algumas alterações se verificaram, foram para piorar a situação.
A última das frases transcritas é enganadora na medida em que cria nos leitores a ideia de que se a banca, etc. não sair das nossas mãos (nanja das minhas!!!) então somos (se-remos) senhores do nosso destino e não seremos tratados como um povo de segunda. Daqui poder-se-á presumir que, estando a banca etc. nas nossas mãos (está?), não so-mos, de facto, um povo de segunda.
Nada mais falso como o atestam as 4 anteriores citações e milhões de outras que poderia referir, sem contar com os múltiplos casos que vivi ( e ainda hoje vivo) ao longo da mi-nha vida profissional, social, etc. e tal.
É pena mas há que reconhecê-lo e aceitá-lo, sem rancor nem exagerado desgosto, mas nós somos realmente um povo de segunda. Chico-esperto, bom garfo e melhor copo, bom amigo, especializado em esquemas que tanto lhe permitem um lugarzinho bem re-munerado numa empresa pública “porque sou do partido”, como aquela cunha para aprovar o projecto na Câmara ou aquele subornozinho que troca a multa de 100 pela gorjeta de 20, amante da boa paródia e de quem mais se propuser, aqui temos o portu-guesinho padrão que bem poderia estar dentro duma redoma no nosso museu de pesos, medidas e padrões, se tal houvesse.
Põe-se então a pergunta: é este estado secundário alterável? Tempos houve em que – oh ingénua candura da juventude! – pensei que sim. Mas não é. E porquê, perguntarão os meus leitores que ainda não tenham atingido o grau de sabedoria a que eu, modéstia à parte, cheguei?
Eu explico, mas vejam lá se aprendem porque eu não duro sempre. Tomem pois atenção: um país para ser de primeira tem que ser habitado por seres capazes de fazer as seguintes tarefas, actividades ou como lhes queiram cha-mar:
1º - Instilar nos seus jovens (desde que nascem até aos 30 anos) um conjunto de valores, saberes, gostos e capacidades que sirvam de “terra e raízes” para o seu desenvolvimento e dos novos “ramos” que hão de nascer. Conhecimentos básicos de lingua(s), de mate-mática e de história – do país (não heroíficada), do mundo e da humanidade – são im-portantes. Mas não só estes. Dar-lhes também valores – dos bons!!! – como por exem-plo honestidade, lealdade, sentido de responsabilidade perante si, os outros e a socie-dade, modéstia mas com auto-estima, algumas noções elementares de ética também claro, etc. etc. etc. Fornecer-lhe as bases para que pos-sam, naturalmente e sem imposições exteriores, estar abertos às culturas que lhe possam interessar, da gastronomia à música erudita ou das artes plásticas à jardinagem, apenas para dar alguns exemplos.
Para isto, uma vez que as famílias, na infeliz maioria dos casos não o pode, quer ou sabe (porque não o teve!), terá que ser a escola a fazê-lo. Demorariam 2 ou 3 gerações até ficar consolidada uma massa crítica suficiente para manter a reacção em cadeia, mas depois tudo seria mais fácil.
Políticos com tomates para dar este pontapé as saída. Onde estão? Naquela geração que agora nos governa e a quem nada disto foi dado, não de certeza. Seria preciso coragem para fazer das escolas lugares onde se aprendem saberes e valores em vez de vícios, téc-nicas de golpada e sobrevivência sem esforço, falta de respeito pelas hierarquias (os professores), pelo património e pelas sociedade. E os professores a quem a necessária autoridade teria que ser atribuída, teriam de se preocupar mais em ensinar bem do que em fazer greves, manifestações públicas ou lutas pela progressão nas carreiras. Ah! Já me esquecia, teriam também que mandar mais do que os alunos mesmo que isso pareça pouco ou nada democrático.
Já haveis percebido que por aqui estamos aviados. Esqueçam o efeito multiplicador das novas gerações. Por este lado continuaremos a ser de segunda.
2º (Pressupõe o 1º. Por isso está tudo lixado!) – Trabalhar 8 horas por dia 5 dias por se-mana, 48 semanas por ano. Não entrar tarde nem sair mais cedo. Se tiver que picar ponto, não usar o tempo em que é pago para trabalhar para quaisquer tarefas acessórias como por exemplo coçar os tomates, fumar, ir à casa de banho (excepto nos limites da normalidade), ir beber uma bica, jogar ou ler/enviar mensagens pessoais no computador, conversar longamente com o colega do lado/frente/trás sobre a besta do árbi-tro/treinador/guarda redes (escolher o(s) que interessa(m)). Idem, com mais razão por-que deveria ser ainda mais responsável, se não tiver que picar o ponto. Não dar baixa senão quando estiver realmente doente. Uma constipação ou uma gripe ligeira não con-tam. Não precisa de trabalhar depressa mas sim de fazê-lo bem com atenção àquilo que faz e seguindo as regras/normas/procedimentos que aprendeu ou são a “boa arte” do ofício. Se tiver contactos com pessoas exteriores à empresa/serviço onde labora, tratá-las com educação, presteza e eficácia. Ser diligente e activo a resolver eventuais pro-blemas que se ponham no decorrer do seu trabalho. Respeitar e obedecer aos superiores, cumprindo as ordens que deles recebam, dentro das suas competências.
Não precisa de ser inteligente. Basta-lhe ser sério.
3º - Se fôr patrão, empresário, presidente, director, administrador etc. ter sempre pre-sente que os seus colaboradores (trabalhadores) são seres humanos e não escravos. E acautelar os investimentos de modo a garantir e sua reprodutibilidade. Criar e fazer criar espirito de equipa nos colaboradores, partilhando com eles responsabilidades e ta-refas, delegando quando apropriado as necessárias competências. Acautelar a organiza-ção do trabalho e das responsabilidades de modo a anular repetições de tarefas, circuitos e níveis de decisão. Fazer apenas aquilo que é importante para o objectivo da empresa que é, nunca se esqueça nem tenha vergonha de dizê-lo, o lucro. Deite fora tudo o que não tem valor acrescentado, tangível ou não, para esse fim. Mantenha todos os colaboradores ao corrente das políticas, estratégias e decisões mais importantes para estimular a sua motivação e sentido de responsabili-dade. Mas não receie aplicar, sempre que necessário, de forma justa mas com a necessária autoridade, as sanções adequadas às infracções cometidas, a todos os níveis e usando todos os meios que a lei confere, in-cluindo o despedimento se e quando se justifique de modo a evitar “fo-cos de infecção” do tecido empresarial. Seja um amigo mas não um compincha.
Remunerar de acordo com a lei mas compensar também cada um de acordo com o seu mérito, valor e contribuição para os resultados. Fazê-lo por decisão unilateral e discricionária, mas com enorme preocupação de objectividade e justeza, esclarecendo, se solicitado a tal, os critérios usados mas nunca aceitando pôr em causa a discricionaridade da decisão. E nunca baixe as calças porque se o fizer alguém logo o enrabará, tenha disso a certeza.
E não se esqueça: NÃO ACEITAR NUNCA SISTEMAS DE PROGRESSÃO E AUMENTOS DE REMUNERAÇÃO BASEADOS EM CARREIRAS, PROMOÇÕES OU OUTROS QUAISQUER CRITÉRIOS DE CARIZ AUTOMÁTICO, CONSTANTE E IRREVERSÍVEL.
Por aqui estamos conversados. De segunda somos, em segunda continuaremos.
3º - E quanto ao Estado tudo deveria mudar para alterar a situação vigente que é man-ter no poder aqueles que lá estão, enquanto lá estão, qualquer que seja a sua origem, ideologia (mortas e enterradas), função, estatuto, etc., para isso usando de todos os meios com um só condicio-nante: não tocar nos interesses das pessoas e das organizações que alimentam financei-ramente os detentores do poder e garantir na medida do possível (às vezes é difícil pre-ver) que os votos que se perdem por uma qualquer frase, medida, atitude, serão em me-nor número do que aqueles que por ela se ganham.
Daí que nada do que necessita ser feito o seja, pela acção de uma ou outra (ou ambas simultaneamente) das condicionantes acima referidas.
Tomates negros seriam precisos, mas os que temos, rosas ou alaranja-dos, nada farão para que o papel do Estado se reduza a fazer as leis, os regulamentos e as normas de direito público a que todos devem obediência fiscalizando e garantindo a sua aplicação, castigando os não cumpridores e estimulando os outros, nomeadamente aqueles que arriscam para criar riqueza.
Não ter medo de flexibilizar o mercado de tra-balho liberalizando a sua legislação, diminuindo drasticamente a burocracia e o poder a ela associado tornando os processos simples expeditos e eficazes por forma a estimular a iniciativa privada.
Partir do princípio de que as pessoas são sérias e honestas e não mentem nem escondem quando declaram algo ao Estado (finanças, conservatórias, câ-maras municipais, etc. etc. etc.), mas puni-las rápida e duramente (sem excepções) quando tal se não verifique.
Não ficar demasiado preocupado se o capital espanhol, alemão, francês ou outro qualquer entrar por aí e dominar empresas na banca, seguros, comunicações, transportes e por aí além, mas não deixar de estimular as nossas empresas para que sejam as melhores na produtividade, na qualidade, nas tecnologias, no design, em I&D, no marketing.
Claro que muito (tudo) disto entronca no 1º ponto: educação, formação, treino, quadros competentes, responsabilidade, capacidade de arriscar com consciência e procura do lucro lícito.
Já perceberam que por aqui nada mudará. De segunda ou pior será a nossa classificação!
Continuemos já que temos a valsa começada, como dizia o poeta. E vamos ao ponto seguinte.
A CONTINUAR … um dia quando me der na cabeça.
Terça-feira, Agosto 05, 2003
Mensagem enviada a um amigo que vai à Austrália e fez uma análise sobre o fenómeno dos blogs
Amigo
Tens razão quanto aos blogs. Posso contudo dizer-te que a blogomania, (chamemos-lhe assim) não é um "movimento" com o que quer que a palavra signifique de sistema organizado (acho eu de que) mas apenas a utilização do ciberespaço para cada um "expectorar" (passe a violência da palavra, no contexto) cá para fora o que bem lhe apetece. No fundo é como um grande café, com uma grande mesa, onde se sentam centenas / milhares / milhões de pessoas numa tertúlia aberta, onde cada um diz os disparates que lhe apetece e cada um "ouve" apenas os que lhe interessam. Como em tudo na vida a selecção natural acontece. Claro que há aqueles que pelo seu mediatismo ou pela sua publicidade conseguem ser os mais "ouvidos", não porque digam mais e melhores verdades que outros (presumo) mas porque são mais conhecidos, populares ou até irreverentes.
Passemos à matemática: o que me preocupa (mas não tanto que me tire a alegria de viver, confesso) é ver que os nossos níveis de formação e educação que a escola dá são cada vez mais baixos o que implica um fenómeno de reacção em cadeia, intergeracional, que leva (está a levar, penso eu, novamente, de que) a uma degradação do nível cultural (em sentido lato) deste país com as consequências a que assistimos na política, no desporto, etc. Não, não se trata de saudosismo do Estado Novo. Só não aceito limitar o meu sentido critico por receio de ser apodado de saudosista. Sei bem que hoje em dia todos têm acesso a uma escolaridade de pelo menos 9 anos e no antigamente só alguns o tinham. não estou porém tão certo quanto ao valor do produto quantidade x qualidade, então e agora. E o que acontece é que o sistema continua a ser tão selectivo agora com então: os mais ricos (entre os quais tu e eu nos incluímos!) podem sempre mandar os seus filhos para colégios particulares, garantindo assim, de forma democrática, a continuidade da "espécie". Melhor seria que o (voltando à matemática) delta.qualidade entre as escolas públicas e as privadas fosse bem menor. E isto só se consegue com acção política coerente, continuada e exigente, coisa que não tenho visto, no sector da educação como noutros.
"En passant" dir-te-ei (outro dia li num jornal, direi-te. Nada de muito grave, e no entanto ...) que ainda hoje veio publicada esta pérola: "... há universidades que abrem as portas a candidatos que tiveram notas na segunda chamada dos exames nacionais de matemática e de física, na ordem dos 4 (áparte meu: não é em 5 mas sim em 20) valores. Mesmo em cursos de formação de futuros professores destas áreas", fim de citação! Porra, mas que é isto! Não se confunda democracia com bandalheira. Até porque bandalheira é a melhor forma de acabar com a democracia, real ou virtualmente.
Com que então vais "Australiar". Desejo-te boa viagem. Quanto à escolha entre o canguru e o diabo da Tasmânia sugiro nem um nem outro. O canguru dava jeito para dar aí uns coices nuns tipos que eu cá sei, mas é pouco "portátel". O diabo não precisamos. Temos por cá Malignos que chegam! Sugiro um koala. São simpáticos, decorativos, cabem facilmente numa mala daquelas com rodinhas e, como se alimentam só de folhas de eucalipto, decerto não passarão fome aqui no Portugalito.
Segunda-feira, Agosto 04, 2003
DOS JORNAIS
Todos os anos saem as notas de matemática e de física do 12º ano e sistemática e repetidamente vêm as análises, comentários e outras considerações sobre a “miséria” que elas representam.
Com a autoridade que me vem da licenciatura em engenharia tirada no IST antes de 25 de Abril de 1974, nos velhos tempos em que o curso eram seis anos e era preciso saber matemática e física “à séria”, não me espanta (apenas me aflige) o estado da formação escolar dos jovens que chegam até ao 12º ano de escolaridade.
Espantar-me-ia sim se eles tivessem maioritariamente notas positivas uma vez que a qualidade do ensino – professores incluídos – é paupérrima (já agora, se me ler algum aluno do 12º, aprenda que é assim que se diz e não pobríssima) e nem uns ( professores) nem outros (alunos) estão minimamente preocupados em ensinar ou aprender alguma coisa.
No tempo em que eu estudei, havia uma tradição que era altamente anti-democrática e que consistia em “chumbar” os alunos que não estudavam e portanto não sabiam a matéria. Isto, como sabeis, era uma violência da ditadura que traumatizava as crianças – eu incluído – a tal ponto que elas, violentadas pelo sistema, não tinham alternativa senão aplicar-se para ter boas notas nos exames. Muitas tardes e noites de paródia perdemos nós, os da minha geração, submetidos a tais obrigações, facto que, ainda hoje, se reflecte na nossa maneira estúpida e enviesada de ver estas questões e no tipo de soluções que defende para elas.
Claro que isto tinha algumas contrapartidas desagradáveis, uma das quais era a de dar alguma menor atenção a certas disciplinas que considerávamos menos importantes (embora contassem para a média final) tais como, por exemplo, a de filosofia. Tratou-se duma geração pouco dada a filosofar, reconheço-o, o que se reflectia nas notas àquela cadeira.
Nos tempos que correm a situação inverteu-se como sabeis. Filosofia é a disciplina com melhor média nacional, dizem os jornais, facto que nada me admira. Tornámo-nos num país de filósofos!
Já éramos um país de poetas. Temos agora assa dupla qualidade, somos um país de poetas filósofos ou, se preferirem, de filósofos poetas.
De qualquer modo fiquem descansados que a ordem dos factores é arbitrária.
Resumindo: ESTAMOS ainda mais FED-UP-IDOS
Domingo, Agosto 03, 2003
DOS JORNAIS
1. - O Presidente da Assembleia da República afirmou que as Comissões de inqué-rito não servem para nada. Olha que novidade. Então só agora é que o (um) presidente da AR é que percebeu isto! Tivesse-me ele (ou outro qualquer antes dele) perguntado e eu lhe teria “ensinado” que as comissões de inquérito só ser-vem para “épater le bourgeois” se é que o bourgeois ainda se “épata” com o quer que seja que a AR faça ou até não faça, o que significa, rigorosamente o mesmo que nada
E já agora, pergunto eu, para que servem os 230 deputados da AR? Para ir em trabalho político ver as partidas de futebol entre clubes nacionais e estrangeiros? Para votar de acordo com as instruções dos partidos a que pertencem? Para es-grimirem patéticos e inconsequentes diálogos (às vezes monólogos) a que cha-mam debates mas que servem tão só para a sua auto exaltação ou masturbação intelectual com a sua própria eloquência? Para dormitarem nas filas de trás?
Melhor seria que cada partido tivesse um único representante na AR (até lhe po-deriam chamar deputado) que votaria com um “peso” proporcional à votação nas eleições para aquele orgão. Assim as leis e outras decisões parlamentares se-riam mais rápidas, quiçá mais escorreitas e teriam certamente o mesmo destino das que agora são produzidas que é o de aumentar a nossa “floresta” legislativa tornando-a cada vez mais inextricável e impenetrável, mesmo que depois nin-guém nem nada as faça cumprir.
Poupava-se tempo, poupava-se muito (todo) o desprestígio de que a AR sofre e acima de tudo poupava-se muito dinheiro que como sabeis, dos nossos bolsos sai.
2. – O CEME demite-se alegando perda de confiança no ministro que o tutelava.
Até que enfim que é um tutelado que perde a confiança no “tutelante”! Final-mente a revolta dos tutelados. Já não era sem tempo.
Bem sei que é um general o que na generalidade lhe atribui um grau de inde-pendência económica que não depende directamente do tutelante (ou será tute-lador?).
Seria o mesmo se o tutelado fosse administrador duma empresa pública (real ou disfarçada, tipo TAP) cujas remunerações dependessem da confiança na/da tu-tela. Cheira-me que não.
Enfim será talvez da minha falta de confiança na natureza humana quando con-frontada com a iminência de perda de regalias económicas e financeiras. Quem sabe?
Mas agora pergunto eu: e nós, os outros, os que não bebemos da grande teta antes a alimentamos? Que fazer quando perdemos a confiança em quem nos tutela? Demitir não nos podemos. E depois, demitir de quê? A quem? Haverá al-guém que me responda a estas dúvidas metafísicas? Se alguém souber diga-me depressa.
Sábado, Agosto 02, 2003
Agora que a Comissão Arbitral do “caso Estado vs. Sociedade Gestora” (do Hospital Fernando Fonseca ou Amadora-Sintra) começa a chegar ao fim dos seus trabalhos vamos ter direito a saber quem, de facto, deve quanto a quem.
A questão é delicada e por essa razão, não vá a Comissão decidir a favor da Sociedade Gestora, o Estado já começou a dizer que a culpa é dos respon-sáveis (?) da ARS (Administração Regional de Saúde) que deviam ter con-trolado melhor os pagamentos feitos àquela Sociedade.
Não deixa de causar um certo espanto, para não dizer um largo sorriso nos lábios, ver serem exigidas indemnizações da ordem de 3.500.000 (três milhões e quinhentos mil) euros (qualquer coisa como 700.000 contos, dos antigos) a alguns ex-altos respon-sáveis daquele organismo. Não se lhes gabará a competência, mas os po-bres nem isso ganharam em toda a sua vida profissional de 20, 30 ou mais anos e entretanto tiveram de comer (pelo menos isso) todos os dias.
Penhore-lhes o Estado o património, a(s) casa(s), as mobílias, o(s) carro(s), o(s) barco(s) (se os houver), as roupas, louças, quadros e outros haveres e ainda longe ficará daquelas quantias. Desconte-lhes então metade dos seus vencimentos ou reformas até ao fim dos seus dias e, ainda assim, não recuperará aqueles montantes. Entretanto poderemos ir, à noite, ver os ex-altos dirigentes públicos a dormir em caixotes de cartão debaixo das arcadas do Teatro D. Maria. Dá para crer???
Não admira portanto que venham eles, agora, invocar vícios e defeitos no contrato que o Estado assinou com o Grupo Mello e os outros sócios que participam ou participaram naquela sociedade. Que se o Estado pagou demasiado foi porque o contrato era (é) leonino, que a Sociedade explorou em seu favor os “buracos” que o contrato continha, que os valores acordados para os diversos actos médicos eram exagerados, etc. etc. etc.
Desde o início da gestão privada se levantaram vozes contra esta nova expe-riência. Umas por vocação (obrigação) política, outras por interesses (pesso-ais, profissionais, corporativos) afectados. Logo apareceu uma original – em vários aspectos – Comissão de Utentes que, ainda a Sociedade não tinha começado a gerir, já ela bramava e a acusava a torto e a direito das mais ocultas (mas não para eles!) intenções e vilanias.
Outras, mais subtis, apenas minavam por baixo ou por trás mas sempre o objectivo era (é) o mesmo – descreditar a nova experiência de gestão privada dum grande hospital público.
Mais sensata que todos estes agentes da contestação, mostrou-se a popula-ção que ocorria ao hospital, aliás em número muito maior do que o contrato previa, dada a explosão demográfica nos concelhos abrangidos – Sintra e Amadora. De facto, à explosão demográfica somavam-se os amigos e famili-ares dos moradores da área que rapidamente perceberam que o serviço prestado naquela unidade era de muito melhor qualidade do que aquele a que estavam habituados nas suas áreas de origem.
Assim o volume de actividade subiu muito mais do que o previsto e, pouco tempo depois, já o Hospital Fernando Fonseca “exibia” a maior urgência do país, maior ainda do que a de qualquer dos grandes hospitais da Grande Lis-boa.
Apesar de tudo o que dizia e escrevia sobre os malefícios da gestão privada o HFF ia progredindo na sua trajectória de qualidade sendo em 2001 qualifi-cado com o Certificado de Qualidade atribuído pelo King’s Fund, entidade In-glesa internacionalmente reconhecida como isenta certificadora da qualidade de estabelecimentos que exercem actividade na área da saúde.
Para que se saiba, esta certificação foi, até hoje, a única concedida a um es-tabelecimento em Portugal, apesar de outros hospitais públicos a terem soli-citado, desde a mesma altura em que o HFF o fez, sem que até agora te-nham conseguido obtê-la.
Mas no meio disto perguntará o leitor curioso: está bem, mas a qualidade a que preço? E, ainda por cima, pecado mortal para alguns, com lucro (palavra horrível!) para os privados.
Ninguém fala da produtividade do HFF. Aliás ninguém fala – se calhar ninguém conhece números - da produtividade dos hospitais públicos. Suspeita-se que não será famosa!
E, no entanto, não seria difícil comparar valores que de algum modo repre-sentem uma medida da eficiência, entre diferentes hospitais de dimensão e tipologia semelhantes às do HFF.
E não seria difícil. Basta crer na representatividade dos grandes números. Quem quer que tenha formação em cálculo e métodos estatísticos sabe que tenho razão.
Vejamos como:
De certeza que o Estado saberá quanto lhe custa por ano um hospital como Santa Maria ou Garcia da Horta ou São João no Porto. E também poderá saber quantos doentes, quantos dias, estiveram aí internados bem com quantas urgências foram atendidas e quantas consultas foram dadas ao longo dum ano.
Se se aceitar - o que não parecerá difícil - que um doente internado durante um dia num destes hospitais (porque foi sujeito a uma intervenção cirúrgica, por-que entrou pela urgência ou porque está em tratamento prolongado, por exemplo) custa ao erário público uma quantia X que engloba o custo do tra-balho humano que sobre ele incide, os custos de hora-máquina utilisados (ecografias, ventiladores, análises, RX, por exemplo), os vários consumíveis usados (medicamentos, catéteres, pensos, próteses, etc.), os custo de estrutura, etc.
Se calhar ninguém saberá dizer qual é essa quantia, mas nem tal é necessário, como veremos adiante.
Também, por outro lado, não escandalizará a ninguém admitir que um doente que entra e é assistido na urgência dum destes hospitais poderá custar cerca de 5 vezes menos do que aquele que ali passou um dia em internamento e um que foi a uma consulta cerca de 20 vezes menos do que o primeiro.
Uma simples operação algébrica (lembram-se da matemática que era uma coisa que se aprendia antigamente nas escolas?) dir-nos-á que o “peso” rela-tivo desta três actividades é de, respectivamente 80%, 16% e 4%.
E se não forem assim as mais correctas relações de custos entre estas 3 acti-vidades, outras serão, não muito diferentes, que não será difícil encontrar.
Em qualquer caso a coerência do processo não será significativamente afec-tada, desde que não se considerem relações absurdas do tipo 34%, 33%, 33% ou outras que se desviem significativamente do peso relativo do custo de cada uma destas 3 actividades, num hospital.
Vejamos um exemplo. O hospital A teve no período de um ano civil teve 600 doentes internados em cada dia, todos os dias do ano, logo o seu X será de 600 x 365 = 219.000 doen-tes*dias de internamento. Se o mesmo hospital atendeu nesse ano 156.400 urgências e prestou 114.500 consultas médicas então o seu “volume” de acti-vidade foi 219.000 x 80% + 156.400 x 16% + 114.500 x 4% ou seja 204.804.
Chamemos a cada um destes um “Doente Padrão” ou DP. Então o hospital A atendeu, no período de um ano 204.804 DP’s.
Se no mesmo período o hospital B teve 262.800 doentes*dias, 310.250 ur-gências e 160.600 consultas, a sua actividade terá sido 266.304 DP’s.
Se o hospital A representou um encargo para o Estado de, por exemplo, 140 milhões de euros e de 160 milhões para o B, então o custo unitário foi respec-tivamente de 683.6 euros/DP no caso do hospital A e de 600.8 euros/DP no B. Este teve uma produtividade quase 15% mais elevada que o primeiro.
Esta é a lógica dos grandes números que não mentem, assim sejam da mesma ordem os volumes e tipos (diversidade) de actividades entre os casos em comparação.
Mesmo nos casos em que as actividades comparadas sejam em quantidades e de qualidades mais diferenciadas, com uma análise mais fina mas sem ne-cessariamente entrar em grande detalhe, poder-se-á facilmente chegar a conclusões significativas sobre a produtividade comparada entre diferentes unidades hospitalares.
Faça o Ministério esta comparação entre o Hospital Amadora-Sintra e outro qualquer de dimensão equivalente e publique os resultados para todos sa-bermos quanto nos custa a (in)eficiência de uns e outros.
Os números (os grandes números) existem e o ministério conhece-os com certeza ou, se os não conhece, então a situação ainda é mais caótica do que se poderia pensar.
Verão que vão haver surpresas. Eu por mim aposto na gestão privada.
25.07.2003
JM
PS – Como era previsível a Comissão Arbitral chegou ao fim dos trabalhos e deu razão à Sociedade Gestora.
02.08.2003
JM
Sexta-feira, Agosto 01, 2003
A justiça, na realidade, tem não dois, mas quatro braços, tal como a deusa Kali que nos foi apresentada pelo Sandokan.
Para que servem os outros braços? Em primeiro lugar, o segundo braço, mais antigo, da época em que não havia telemóveis, está escondido atrás do corpo da justiça, com a mão bem aberta, pronta a agarrar as "perdizes" que os litigantes queiram oferecer, como tão bem ilustrado no
mural de Monsaraz.
É portanto o terceiro braço que segura o telemóvel, enquanto o quarto braço levanta impudicamente a túnica e revela os segredos da justiça.
NB
A justiça, na realidade, tem não dois, mas quatro braços, tal como a deusa Kali que nos foi apresentada pelo Sandokan.
Para que servem os outros braços? Em primeiro lugar, o segundo braço, mais antigo, da época em que não havia telemóveis, está escondido atrás do corpo da justiça, com a mão bem aberta, pronta a agarrar as "perdizes" que os litigantes queiram oferecer, como tão bem ilustrado no
mural de Monsaraz.
É portanto o terceiro braço que segura o telemóvel, enquanto o quarto braço levanta impudicamente a túnica e revela os segredos da justiça.
NB
Quinta-feira, Julho 31, 2003
VIVA O BURRO PORTUGUÊS!
Li nos jornais que Bruxelas decidiu classificar um dos nossos burros como raça protegida.
Finalmente fez-se justiça e os nossos burros já não são menos que os outros! Uma das coisas que nos entristecia era ver que qualquer dos nossos burros que por aí campeiam e que nada ficam a dever, em burrice, aos dos outros países, nunca viam reconhecida a sua “qualidade” de burros. Todos sabemos de casos em que nos batemos taco a taco com quaisquer outros e contudo ninguém nos dava a devida importância.
No entanto é compensador saber que, não obstante ter demorado esta justiça de Bruxelas, entre nós o burro sempre foi espécie protegida. Quem não o sentiu nunca!
Mas desgosta-me ver que apenas ao burro de Miranda foi atribuído este galardão. Então e o conhecido e não menos célebre burro Alentejano? E o do Porto? Para não falar da espécie de Lisboa que por aí “pasta” sempre nos melhores locais e nas melhores “pastagens”!
Todos conhecemos vários desta espécie. Todos já nos cruzámos com eles em variadas circunstâncias e sabemos bem como são, onde estão e donde comem.
Façamos já um abaixo assinado exigindo justiça a Bruxelas. Queremos proteger todos os burros.
Que nem um fique de fora!
Terça-feira, Julho 29, 2003
SOMOS TODOS IGUAIS PERANTE A JUSTIÇA, MAS ALGUNS SERÃO MAIS IGUAIS
A política e os políticos portugueses lembram-me cada vez mais, mais do que nada nem ninguém, Orwell e os suas obras "1984" e, sobretudo "Animal Farm" que em português tem o título muito mais sugestivo de "O Triunfo dos Porcos".
Agora que a justiça começou a "arranhar" também a sua (dos políticos) classe eis que todos (com algumas honrosas excepções, PR incluso) clamam que no seu caso (deles, políticos) o tratamento deverá ser diferente do dado ao comum dos cidadãos, eu, tu, nós!
Passaremos a ser todos iguais perante a lei, mas, como em Orwell, alguns serão mais iguais. Já sabíamos que alguns são mais iguais, agora temos a certeza!
Depois admirem-se que nos inquéritos à opinião pública, grossa maioria dos inquiridos diga que não confia neles!
À estátua da Justiça há que introduzir algumas alterações. A venda nos olhos será levemente levantada, pelo menos num deles. Seja o esquerdo ou o direito, vai depender do partido "de serviço". A balança poderá ter um dos pratos acima do outro. Também aqui poderá ser o direito ou o esquerdo. Depende ...
Além destes dois artefactos a Justiça deverá acrescentar à sua imagem um telefone que ela segurará encostado ao ouvido com a mão esquerda. Receberá por ele os "recados" que os poderes políticos acharem por bem dirigir-lhe - por exemplo: "eu quero ser ouvido pelo PGR, já"!
Aqui não se tratará de preferência ideológica mas tão só duma questão de disponibilidade, pois que a mão direita está a segurar na balança.
Com o andar da carruagem pode ser que qualquer dia "ela" possa arriar a balança (de desiquilibrada que ela estará, já de pouca servirá) e segurar o telefone com a mão direita, ou, melhor ainda, segurar dois telefones junto às orelhas, um do lado direito, outro do esquerdo. A menos que elas - as orelhas - lhe ardam tanto que nem isso possa fazer.
Segunda-feira, Julho 14, 2003
Há que tempos que não blogo. Hoje apeteceu-me blogar um pouco porque, como é já meu hábito, estou fed-up com isto tudo. Isto tudo o quê, dirão os eventuais leitores destes desabafos. Pois tudo é tudo o que passa na política, com os políticos, pelos políticos, essa espécie que nós sustentamos para nos fed-up.
Oh raras e honrosas excepções, não perdei a esperança, que não a tenho eu já!
Por exemplo: Disse outro dia o PR caramba à criação de 2 concelhos à revelia das leis para tal existentes. Cheira-me que ele está também fed-up mas tem que ser comedido naquilo que diz. Caramba é pouco. Porra seria apropriado à circunstância mas seria politicamente incorrecto e impróprio para um Presidente, por isso carambe Sr. Dr., nunca se canse de carambar.
Caramba Sr. Presidente, não se iniba e vete. Vete que, se quiserem mesmo, terão que reincidir.
Também me fed-up bastante o célebre caso dos deputados que vão à bola ao estrangeiro em trabalho político (!!!!!!?????!!!!!)(caramba, desculpa bem desarrincada !!!!!!) ou em representação da Assembleia (não tenho espaço para todas as exclamações e interrogações emergentes). Tenham pena de mim, não me fed-upem muito e quando o fizerem façam-no devagarinho e um só de cada vez. Trinta ao mesmo tempo, não aguento!
E a Fátima de Felgueiras que, segundo li nos jornais, continua(va?) a receber o vencimento apesar de “refugiada” (boa piada!) no Brasil. Acho bem. A mulher precisa de viver e comprar uns trapitos para bem se apresentar quando for novamente entrevistada (em prime time) pelas TV’s que temos. Há que manter a dignidade do cargo e aquele advogado não deve ser rapaz para trabalhar em regime de apoio gratuito.
Por hoje por aqui me fico. E vocês não se sentem também fed-up’s?
Brevemente voltarei que o circo é grande e farto.
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